Brasil domina reservas, mas depende de tecnologia externa para agregar valor
Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que o país guarda a segunda maior reserva de terras raras do planeta, mas ainda patina nas etapas de beneficiamento que realmente geram riqueza.
- Em resumo: a falta de capacidade de refino ameaça transformar o gigantesco estoque nacional em simples commodity de exportação.
Por que “raras” se tornaram estratégicas?
Apesar de não serem escassos na crosta terrestre, os 17 Elementos Terras Raras concentram-se em poucos depósitos economicamente viáveis. Com isso, a China responde por cerca de 70% do refino global, um cenário que preocupa Estados Unidos e União Europeia, segundo levantamento da Reuters.
“Sem dominar a cadeia de valor, o Brasil tende a repetir o papel histórico de exportador primário”, alerta o geógrafo Luiz Jardim Wanderley, da UFF.
Impacto econômico e geopolítico para o Brasil
Além de terras raras, o país lidera as reservas mundiais de nióbio e figura entre os três maiores detentores de grafita e níquel. De acordo com a Resolução nº 2 de 18/06/2021 do Ministério de Minas e Energia, esses minerais integram a lista nacional de insumos estratégicos, reforçando a necessidade de políticas para processamento local.
Analistas lembram que o valor de mercado dos imãs permanentes — insumo chave para turbinas eólicas e carros elétricos — deve saltar de US$ 13 bilhões em 2022 para mais de US$ 22 bilhões até 2030, segundo estimativas públicas da Agência Internacional de Energia. Sem industrialização, o Brasil corre o risco de perder essa fatia bilionária.
O que você acha? O Brasil deve priorizar o refino interno ou focar apenas na exportação bruta? Para mais análises sobre a corrida mineral, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil