Custos crescentes e desempenho questionável colocam parcerias sob fogo cruzado
Sistema Único de Saúde (SUS) – Um estudo recém-divulgado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul comparou hospitais geridos por Parcerias Público-Privadas (PPPs) a unidades públicas de igual porte e concluiu: não há ganho de performance e o gasto fica maior, alerta que chega às vésperas da eleição de 2026, quando o modelo de saúde do país deve virar tema-chave da campanha.
- Em resumo: PPPs custam mais ao erário e não entregam indicadores melhores de mortalidade, permanência ou ocupação.
Dados acadêmicos desmontam o mito da “gestão mais eficiente”
Ao avaliar tempo médio de internação, taxa de mortalidade e ocupação de leitos, a pesquisa constatou desempenho equivalente ou inferior ao das unidades estatais – e com repasses superiores. Segundo o levantamento, os governos pagam até 20% a mais para manter contratos de PPP. A constatação ecoa outras análises internacionais divulgadas pela agência Reuters, que apontam custos adicionais e renegociações onerosas em contratos de longa duração.
“Não encontramos evidências de que a gestão privada traga eficiência ou redução de custos para o SUS”, resume o relatório universitário.
Risco fiscal, cenário eleitoral e o caso emblemático do GHC
No Grupo Hospitalar Conceição, referência nacional em Porto Alegre, o BNDES já estrutura uma PPP para um novo complexo dentro do Programa de Parcerias de Investimentos. Servidores relatam sobrecarga e mudança constante de protocolos, sinalizando como a lógica de mercado impacta o dia a dia. Especialistas lembram que, em contratos que superam duas décadas, projeções de receita e custos tendem a favorecer o parceiro privado, enquanto o risco acaba recaindo sobre o Estado.
Para além dos hospitais, o debate toca o orçamento federal: somente em 2023, o gasto público em saúde ultrapassou R$ 160 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda. Analistas temem que compromissos de PPP ampliem esse montante sem garantir contrapartidas, restringindo a margem fiscal para ampliar a cobertura primária – área que, historicamente, gera maior impacto sanitário com menor custo.
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Crédito da imagem: Divulgação / ASERGHC