Especialistas veem saída ferroviária e marítima, porém alertam para gargalos logísticos e altos custos
Rússia tornou-se o principal nome cogitado para manter o fluxo de exportações iranianas diante do bloqueio no Estreito de Hormuz, segundo analistas ouvidos recentemente. Embora Moscou ofereça rotas alternativas via Mar Cáspio e rede ferroviária até portos no Mar Negro, a conta final pode inviabilizar o “plano B”.
- Em resumo: rotas via Rússia reduzem pressão sobre Teerã, mas dobram o frete e alongam o prazo de entrega.
Rota Cáspio-Mar Negro é opção, mas preço do frete assusta
O corredor que liga portos iranianos no Mar Cáspio a terminais russos e, dali, ao Mar Negro permitiria driblar o gargalo do Golfo Pérsico. Porém, especialistas dizem que o trajeto eleva em até 120% o custo por tonelada, de acordo com projeções citadas pela Reuters.
“Questões de infraestrutura, manuseio de cargas e a necessidade de transbordo múltiplo tornam a rota longa e cara, limitando seu apelo no longo prazo”, aponta um relatório de mercado citado pelos analistas.
Parceria cresce, mas ainda não basta para substituir Hormuz
As trocas bilaterais Rússia-Irã somaram cerca de US$ 5 bilhões em 2023, segundo dados aduaneiros russos. O volume é recorde, mas representa menos de 15% do valor que Teerã movimenta anualmente via Hormuz. Além disso, o Corredor Internacional Norte-Sul (INSTC) — projeto ferroviário e rodoviário que liga Índia, Irã, Azerbaijão e Rússia — ainda opera com trechos inconclusos, atrasando uma solução integrada.
No curto prazo, Moscou funcionaria mais como “válvula de escape” do que como substituto total, avaliam consultorias de comércio exterior. Enquanto isso, sanções ocidentais sobre ambos os países complicam seguro marítimo e pagamento, ampliando o risco para armadores.
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Crédito da imagem: Divulgação / Al Jazeera