Morte de menino de 11 anos revela escalada no uso de crianças pelo regime
Guarda Revolucionária Islâmica passou a admitir “voluntários” de apenas 12 anos, segundo oficiais em Teerã, após o óbito de Alireza Jafari em 11 de março, identificado como auxiliar de um posto de controle da milícia Basij.
- Em resumo: Programa estatal “Combatentes Defensores da Pátria” institucionaliza menores em funções de patrulha e revista.
Programa “Defensores da Pátria” mira adolescentes em mesquitas
Anunciado por Rahim Nadali, o plano permite recrutamento em mesquitas ligadas à Basij e em praças onde ocorrem atos pró-governo. Testemunhas ouvidas pela BBC descrevem jovens portando rifles em Teerã, Karaj e Rasht; algumas crianças “ainda sem bigode” faziam revistas em veículos, comportamento considerado crime de guerra pela Human Rights Watch. A gravidade foi repercutida também pela agência Reuters, reforçando denúncias internacionais.
“Não há desculpa para uma campanha militar que mira crianças, muito menos jovens de 12 anos”, enfatizou Bill Van Esveld, da Human Rights Watch.
Contexto internacional e riscos legais para o Irã
O Estatuto de Roma e a Convenção sobre os Direitos da Criança proíbem participação de menores de 15 anos em hostilidades. Casos anteriores de alistamento infantil pela Basij remontam à Guerra Irã-Iraque nos anos 1980, quando garotos eram enviados a campos minados. Especialistas alertam que, além de violações humanitárias, a prática agrava a insegurança interna: jovens sem treinamento adequado podem intensificar confrontos e colocar civis em risco.
O que você acha? O recrutamento infantil fragiliza ainda mais a legitimidade do governo iraniano ou é reflexo de falta de efetivos adultos? Para acompanhar desdobramentos globais, acesse nossa editoria de Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / Majid Asgaripour / WANA / Reuters