EUA alegam competição desleal e Planalto transforma crise em palanque
Lula reagiu de forma imediata ao novo documento do governo dos Estados Unidos que classifica o PIX como ameaça às bandeiras de cartão de crédito, enxergando na crítica uma chance de reforçar sua imagem de defensor da inclusão financeira.
- Em resumo: Pressão de Donald Trump contra o PIX pode impulsionar a popularidade de Lula e virar munição na pré-campanha de 2026.
Por que o PIX incomoda Washington?
Lançado em 2020 pelo Banco Central, o PIX realizou mais de 24 bilhões de transações em 2023 e já acumula cerca de 160 milhões de chaves ativas, eliminando tarifas que antes iam para operadoras de cartão. Esse avanço levou o Departamento de Comércio dos EUA a afirmar que há “competição desleal”, argumento reforçado por Trump durante a investigação comercial em curso, segundo a agência Reuters.
“O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, disse Lula, na Bahia, sob orientação do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.
Disputa ganha contorno eleitoral e pressiona oposição
Em 2023, ameaças semelhantes já haviam rendido dividendos políticos ao Planalto: pesquisas mostraram uma alta de até três pontos percentuais na aprovação presidencial logo após a primeira ofensiva trumpista. Agora, com a desaprovação de Lula rondando 48%, analistas veem na nova crise uma oportunidade calculada: defender o PIX significa falar diretamente a 71 milhões de brasileiros que fizeram sua primeira transferência digital pelo sistema.
Além disso, a militância petista passou a vincular a crítica norte-americana ao pré-candidato Flavio Bolsonaro (PL), explorando a proximidade histórica do clã com Trump. A narrativa, segundo interlocutores do PT, serve para contrastar “soberania financeira” com “alinhamento automático” aos EUA, tema sensível desde a campanha de 2022.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters