Fala presidencial tensiona bastidores do Senado e expõe riscos à indicação ao STF
Luiz Inácio Lula da Silva gerou novo atrito com o Congresso ao afirmar que “senador com mandato de oito anos pensa que é Deus”, justamente às vésperas da sabatina de Jorge Messias, seu escolhido para o Supremo Tribunal Federal.
- Em resumo: falas de Lula irritam líderes e podem atrasar a votação de Messias na CCJ.
- Termômetro: Planalto calcula já ter 41 votos, mas receia efeito-rebote após a polêmica.
Alcolumbre e centro avaliam retaliação silenciosa
A declaração aconteceu no Ceará, durante entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação. Poucas horas depois, aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, admitiam que o comentário poderia “desorganizar” um calendário que ainda nem havia sido definido. Segundo análise publicada pela agência Reuters, atrasos desse tipo costumam encarecer o apoio político e aumentar a margem de negociação de parlamentares independentes.
“Um senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado”, disse Lula, provocando reação imediata de oposicionistas e dissidentes da base.
Histórico de sabatinas mostra cenário volátil para o Planalto
Desde a redemocratização, apenas cinco indicações ao STF enfrentaram risco real de rejeição, mas todas foram aprovadas após forte articulação. Em 2015, por exemplo, Edson Fachin passou na CCJ mesmo sob forte resistência inicial. A diferença, alertam consultores legislativos, é que o Senado atual tem composição mais fragmentada e menos sujeita ao “efeito manada” das lideranças partidárias.
Além disso, Lula indicou Messias apenas quatro meses após a aposentadoria de Rosa Weber, período considerado longo na prática institucional. Esse vácuo permitiu que nomes alternativos, como o do próprio Rodrigo Pacheco defendido por Alcolumbre, ganhassem tração nos corredores da Casa.
Analistas lembram que o Palácio do Planalto precisa equilibrar a pauta econômica, o avanço de projetos prioritários e agora a tensão institucional provocada pela frase presidencial. Caso o rito de Messias se estenda, o tema pode se contaminar com o calendário eleitoral municipal, historicamente adverso a votações sensíveis.
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Crédito da imagem: Divulgação / Ricardo Stuckert