Transferência para inatividade garante pensão quase integral enquanto processos avançam
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto – indiciado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana – passou oficialmente para a reserva da Polícia Militar de São Paulo, decisão que lhe assegura 58/60 dos vencimentos, apesar de estar preso preventivamente desde março.
- Em resumo: mesmo detido, o oficial receberá remuneração quase completa até decisão final da Justiça.
Mudança para a reserva não impede punições disciplinares
A portaria publicada no Diário Oficial na última quinta-feira determina a aposentadoria do oficial, mas a Secretaria da Segurança Pública frisa que o conselho de justificação continua em curso e pode resultar em demissão, perda do posto e da patente, conforme destacou o G1.
“A instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva”, informou a SSP em nota oficial.
Histórico do caso e a escalada do feminicídio no Brasil
Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro; laudos do IML apontaram agressões incompatíveis com suicídio. O tenente-coronel alegou suicídio, mas o registro foi alterado para morte suspeita e, depois, feminicídio. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.437 feminicídios em 2023 – média de uma vítima a cada seis horas –, o maior patamar desde que o crime foi tipificado em 2015. Especialistas alertam que, quando o acusado pertence às forças de segurança, a responsabilização costuma ser mais demorada devido a ritos disciplinares paralelos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil