Da euforia das transmissões na TV aberta ao vazio nas lojas
Xbox — ícone da Microsoft nos consoles — vive um ponto de inflexão no Brasil: depois de dominar comunidades e até estrear quadros na Record e na Band, a marca sumiu de eventos, prateleiras e mídias físicas. À nova CEO, Asha Sharma, cabe reverter anos de distanciamento.
- Em resumo: legado de engajamento local deu lugar a preços altos, falta de estoque e silêncio institucional.
Inside Xbox: quando o fã era protagonista
No final dos anos 2000, o país vibrava com o programa Inside Xbox, exibido tanto no dashboard do 360 quanto em transmissões na TV aberta (TRANSMISSÃO: Record | Band). Rostos como Nelson Alves Jr., Mariana Ayres e Thais Matsufugi criaram um diálogo direto, algo raro à época, e levaram a audiência brasileira a ficar atrás apenas dos EUA na cobertura da E3, segundo o ex-apresentador.
“Fomos o segundo maior público global do Inside na E3, com uma equipe de apenas quatro pessoas”, recorda Nelson Alves Jr.
O engajamento se traduzia em consoles fabricados na Zona Franca de Manaus, edições limitadas — como a do Palmeiras, com só 102 unidades — e jogos dublados que transformaram Halo e Gears of War em hits nacionais. Era uma estratégia “de fãs para fãs” que, de acordo com analistas ouvidos pelo The Verge, antecipou a cultura de comunidades que hoje sustenta boa parte do mercado de games.
Pandemia, sumiço e preços proibitivos
A história mudou de rumo a partir de 2020. Com Xbox Series S | X, vieram o fim das mídias físicas, falta de consoles nas lojas e aumento de quase 100% no Game Pass, agora a R$ 120. A ausência em BGS e gamescom latam ampliou a percepção de “abandono”.
O vácuo abre espaço para uma Sony cada vez mais dominante — o Brasil já figura entre os 10 maiores mercados de games do mundo, segundo a Newzoo, e movimentou US$ 2,3 bilhões em 2023. Sem concorrência real, preços tendem a subir e a inovação desacelera, apontam especialistas.
Asha Sharma e a corrida contra o relógio
Contratada em março, Sharma reorganizou a área de marketing global e abriu vagas de liderança focadas em “mercados negligenciados”. O desafio: reconstruir canais de comunicação locais, retomar presença em eventos e restabelecer produção ou logística que garantam estoque competitivo. Analistas lembram que o modelo “Inside” é replicável via Twitch, YouTube e até WhatsApp Channels, mas exige orçamento, autonomia regional e, sobretudo, voz humana — exatamente o que faltou nos últimos anos.
O que você acha? A velha fórmula de comunidade pode reacender a paixão brasileira ou o mercado virou a página? Para mais análises de tecnologia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Microsoft