Estudo liga corte de turmas à evasão e pressiona governo Leite por respostas
CPERS – Dados apresentados em transmissão da Band e sistematizados pelo DIEESE mostram que as matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) encolheram 64,1% no Rio Grande do Sul entre 2019 e 2025, caindo de 71.703 para 25.725 alunos e acendendo alerta sobre o acesso ao ensino público.
- Em resumo: 45.978 gaúchos deixaram de ter vaga na EJA em apenas seis anos.
Falta de busca ativa agrava exclusão educacional
Especialistas afirmam que o corte de turmas, a redução de professores e a inexistência de políticas de permanência jogam milhares de trabalhadores para fora das salas de aula. Guilherme Reichwald Jr., do Fórum Estadual de EJA, lembra que o estado integra o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo, mas não executa ações concretas de busca ativa – cenário também retratado em reportagem da GZH sobre escassez de vagas.
“A ausência de planejamento transforma o direito à EJA em mera formalidade”, critica Reichwald, citando 4,9 milhões de gaúchos acima de 15 anos sem educação básica completa.
Impacto social atinge principalmente mulheres, negros e imigrantes
Instituições como o NEEJA Paulo Freire, em Porto Alegre, relatam pressão permanente: salas fechadas, professores não repostos e até divisão de prédio com outros órgãos. O vice-diretor Silvio de Oliveira lembra que 60% dos estudantes são de grupos historicamente excluídos. A retração coloca o RS apenas na 13ª posição nacional, atrás de estados com população bem menor, como Piauí e Paraíba.
Estudos da Fundação Getulio Vargas indicam que cada ano adicional de escolaridade pode elevar a renda individual em até 15%. No curto prazo, portanto, o corte na EJA compromete a produtividade e amplia desigualdades regionais, alerta o economista Marcelo Cruz.
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Crédito da imagem: Divulgação / Neeja Paulo Freire