Decisão que expulsou visitantes dos estádios paulistas segue sem consenso
Secretaria de Segurança Pública de São Paulo — Há exatos dez anos, a pasta proibiu a presença de torcedores visitantes nos clássicos entre Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos. A regra, pensada para frear confrontos fora dos estádios, já atravessou três governadores e cerca de 200 partidas, mas a violência entre organizadas persiste nas ruas e redes sociais.
- Em resumo: Torcida única completa uma década sem entregar a paz prometida aos jogos paulistas.
Como a medida surgiu e por que persiste
Implantada em 2013 após brigas que culminaram em mortes de torcedores, a restrição foi chancelada pelo Ministério Público e mantida mesmo diante de críticas de clubes e federação. Em 2016, ela chegou a ser adotada em todo o Brasil pelo STJD, mas apenas São Paulo a sustenta de forma permanente. Segundo reportagem do ge.globo.com, a Polícia Militar alega economia de efetivo e prevenção de embates diretos como motivos para não recuar.
“Torcedores de Palmeiras, Santos, São Paulo e Corinthians são impedidos de assistir a jogos na casa do adversário; medida não impediu guerra entre as torcidas.”
Números de violência mostram cenário ainda preocupante
Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, entre 2013 e 2022, o estado registrou 28 mortes relacionadas ao futebol, média superior ao período anterior à torcida única. No mesmo intervalo, o Núcleo de Estudos da Violência da USP aponta mais de 600 detenções ligadas a brigas de organizadas. Especialistas defendem que, sem estratégias de inteligência policial e diálogo com as torcidas, a proibição apenas desloca o problema para ônibus, bares e estações de metrô.
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Crédito da imagem: Divulgação / Secretaria de Segurança Pública de SP