Deputado vira alvo de queixa-crime em meio a guerra de narrativas digitais
Jair Bolsonaro protocolou, por meio de seus advogados, uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal André Janones, acusando-o de calúnia e difamação após uma série de postagens consideradas ofensivas pela equipe do ex-presidente.
- Em resumo: Defesa de Bolsonaro afirma que restrições às redes sociais criam “desigualdade de armas” frente aos ataques virtuais de Janones.
Do que, exatamente, Bolsonaro acusa Janones?
Segundo a petição, Janones teria atribuído a Bolsonaro supostos crimes e condutas ilícitas sem apresentar provas. Os advogados alegam que o deputado “transbordou o direito à livre manifestação” ao promover declarações que classificaram como “fraudulentas e ofensivas”, pedéndose reparação penal. Em documento obtido pela CNN Brasil, a defesa reforça que a calúnia se consolidou nas redes sociais, ambiente em que Bolsonaro está parcialmente banido por decisões judiciais.
“Há inegável disparidade de armas quando um cidadão está com suas contas restritas enquanto quem o ataca permanece ativo e ampliando o alcance das ofensas”, argumenta a defesa no texto entregue ao STF.
Contexto jurídico e impacto político
Calúnia e difamação, previstos nos artigos 138 e 139 do Código Penal, podem gerar pena de até dois anos de detenção, além de multa. Contudo, como Janones possui foro privilegiado, cabe ao STF autorizar eventual abertura de processo criminal. Especialistas lembram que, historicamente, o tribunal costuma exigir prova mínima de dolo específico para dar andamento a esse tipo de ação contra parlamentares.
O embate é mais um capítulo da rivalidade digital iniciada nas eleições de 2022, quando Janones, conhecido por transmissões ao vivo de alto engajamento, concentrou ataques diários contra o então presidente. De lá para cá, o deputado manteve o tom crítico, enquanto Bolsonaro enfrenta investigações eleitorais e inquéritos no âmbito da Polícia Federal. Analistas ouvidos pelo mercado político apontam que a queixa-crime também funciona como tentativa de conter o desgaste da imagem do ex-chefe do Executivo — hoje dependente do fortalecimento de sua base para as municipais de 2024.
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Crédito da imagem: Divulgação / Valter Campanato (Agência Brasil)