Falha de protocolo expôs trabalhador a 17 sieverts e chocou o mundo
Hisashi Ouchi – vítima do acidente nuclear de Tokaimura, no Japão, em 30 de setembro de 1999 – sobreviveu 83 dias após receber a maior dose de radiação já registrada em um ser humano, evidenciando lacunas críticas na segurança de usinas de processamento de urânio.
- Em resumo: a mistura manual de combustível nuclear provocou reação em cadeia fora de controle e doses fatais de radiação.
Como uma baldeação apressada desencadeou a reação crítica
Na manhã do acidente, técnicos transferiam solução de uranila para um tanque de precipitação – etapa normalmente automatizada. O processo manual, feito para “ganhar tempo”, ultrapassou o limite de 2,4 kg e atingiu cerca de 16 kg de urânio enriquecido a 18%, segundo levantamento da BBC News. O excesso de massa crítica gerou um clarão azul – sinal da reação – e liberou nêutrons em níveis letais.
“Estimativas posteriores indicaram que Ouchi absorveu aproximadamente 17 sieverts, dose que causou falência sistêmica de órgãos”, aponta relatório da Agência de Energia Atômica do Japão.
Consequências médicas e lições para a indústria nuclear
Os 83 dias de internação de Ouchi incluíram 20 transfusões de sangue, enxertos de pele e terapias de células-tronco que não conseguiram conter a destruição de sua medula óssea. O caso levou o governo japonês a endurecer protocolos de critério crítico e impulsionou auditorias nas mais de 60 instalações nucleares do país. Hoje, procedimentos de validação dupla e sensores automáticos de massa crítica são obrigatórios, reflexo direto daquela tragédia.
Internacionalmente, o episódio foi classificado como nível 4 na Escala INES, catalisando revisões de emergência em usinas europeias e americanas. O Instituto Internacional de Energia Atômica reforçou treinamentos sobre manuseio de soluções de nitrato de uranila, enquanto simuladores de acidente de Tokaimura passaram a integrar programas de capacitação.
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Crédito da imagem: Divulgação / O Antagonista