Pressão sobre Congresso expõe embate entre arrecadação e saúde pública
Lula defendeu, em entrevista recente, a proibição das apostas eletrônicas de quota fixa — as populares bets — e pediu urgência ao Congresso para conter o que chama de “jogatina desenfreada” que aprofunda o endividamento das famílias brasileiras.
- Em resumo: Presidente ameaça fechar bets enquanto setor gira até R$ 30 bi mensais.
Setor movimenta R$ 30 bi e influencia parlamentares
Dados do Banco Central indicam que, só no primeiro trimestre de 2025, apostadores destinaram cerca de R$ 90 bilhões às plataformas. O montante reforça o lobby: empresas de betting patrocinam times de futebol e, segundo Lula, “financiam parlamentares e partidos”. Em meio ao debate, a Receita Federal confirmou à Reuters que a tributação sobre jogos online saltou 236% no último ano, alcançando R$ 2,5 bilhões apenas no primeiro bimestre.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets. Não é possível continuar com essa jogatina desenfreada”, disse o presidente.
Regulamentação atual x proposta de veto total
As bets foram legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023, quando o Ministério da Fazenda criou a Secretaria de Prêmios e Apostas. Desde então, mais de 20 portarias fixaram exigências de capital mínimo, auditoria e pagamento de impostos. Mesmo assim, especialistas alertam que menores de idade continuam acessando as plataformas via celulares dos pais, cenário semelhante ao do Reino Unido antes da imposição de limites diários de perda.
Para economistas ouvidos pelo mercado, acabar com o segmento exigiria compensar clubes de futebol e emissoras que hoje dependem de patrocínio das casas de apostas — uma cifra estimada em R$ 1,3 bilhão por temporada. O Planalto, porém, argumenta que o esporte “viveu um século e meio sem as bets” e que o risco social do vício supera o ganho fiscal.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil