Busca pelo verdadeiro Satoshi ganha novo capítulo e abala mercado cripto
Adam Back – criptógrafo britânico citado pelo New York Times como possível mente por trás do pseudônimo Satoshi Nakamoto – negou recentemente qualquer participação direta na criação do Bitcoin, reacendendo um mistério que já dura 16 anos.
- Em resumo: NYT analisou décadas de e-mails e aponta Back como autor do white paper; ele refuta.
E-mails de 1997 a 1999 sustentam tese do jornal
O repórter John Carreyrou vasculhou mensagens trocadas no fim dos anos 1990 e encontrou um rascunho assinado por Back que descreve “dinheiro virtual totalmente desconectado dos bancos”, com escassez programada e rede distribuída – pilares do Bitcoin. Segundo o New York Times, a coincidência de conceitos reforça a suspeita de que Back seria o autor do white paper publicado em 2008.
“Não sou Satoshi, mas desde cedo foquei nas implicações sociais positivas da criptografia, da privacidade online e do dinheiro eletrônico”, declarou Back à BBC.
Mistério de US$ 1,3 trilhão e disputas judiciais
O interesse em descobrir o verdadeiro Nakamoto não é apenas acadêmico. Estima-se que as carteiras atribuídas ao criador contenham mais de 1 milhão de bitcoins – patrimônio que, na cotação atual, ultrapassa US$ 60 bilhões. Qualquer confirmação de identidade poderia deslocar poder de mercado e até provocar instabilidade regulatória.
Historicamente, mais de 100 nomes já foram investigados, de engenheiros japoneses a matemáticos norte-americanos. Em 2016, o empresário australiano Craig Wright também reivindicou o título, mas não apresentou provas decisivas. Pesquisadores do Reuters Institute lembram que a descentralização do Bitcoin depende, em parte, dessa aura de anonimato: “quanto mais nebuloso o criador, maior a confiança no código, não na pessoa”.
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Crédito da imagem: Reuters / Dado Ruvic