Modelo português de mobilidade coloca em xeque a aposta gaúcha no asfalto
Porto Alegre — Vista de perto, a malha de bondes que corta Lisboa, Porto e Coimbra funciona como um espelho incômodo para a capital gaúcha: onde os portugueses transformaram patrimônio em solução diária de transporte, a metrópole sul-brasileira seguiu o caminho inverso e sepultou seus trilhos há mais de meio século.
- Em resumo: Portugal integra história e eficiência, enquanto Porto Alegre enfrenta congestionamentos e ilhas de calor.
Trilhos históricos, rotas do futuro
Os elétricos operados pela Carris deslizam pelas ladeiras lisboetas desde o século XIX, mas ganharam sistemas de bilhetagem eletrônica e prioridade em faixas exclusivas — combinação que elevou a pontualidade e reduziu emissões, segundo levantamento citado pela BBC News. O contraste é direto: em 1968, gestores nomeados durante a Ditadura Militar aposentaram os bondes porto-alegrenses e glorificaram o pneu, decisão que ainda cobra juros na forma de tráfego saturado e transporte coletivo pouco atraente.
“o resultado tende a ser uma paisagem empobrecida e uma experiência urbana excludente.”
Calçadas que refrescam versus tapetes de calor
Além dos trilhos, a diferença está sob os nossos pés. Enquanto pedras irregulares e paralelepípedos portugueses favorecem drenagem e reduzem a temperatura do solo, a pavimentação asfáltica dominante no Centro Histórico de Porto Alegre cria micro-climas de calor e afasta pedestres. Estudos da Agência Internacional de Energia apontam que superfícies permeáveis podem baixar até 2 °C na sensação térmica, meta alinhada às políticas climáticas que ganham força em capitais sul-americanas como Bogotá e Santiago.
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Crédito da imagem: Divulgação / Adriano Skrebsky Reinheimer