Confronto em comissão da Câmara expõe racha sobre violência política de gênero
Rosana Valle — deputada federal do PL por São Paulo — ameaçou, na última reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, recorrer à Lei Maria da Penha contra a também deputada Erika Hilton (Psol-SP) após discussão acalorada que interrompeu os trabalhos do colegiado.
- Em resumo: Valle acusa Hilton de “assédio moral” e diz que vai formalizar denúncia baseada na Lei 11.340/2006.
“Assédio moral” vira caso de polícia no plenário
O embate começou quando Hilton questionou a fala de Valle sobre políticas para mulheres, o que levou a troca de farpas. Em resposta, a deputada do Psol afirmou que a colega apenas buscava “likes” com o episódio. A Lei Maria da Penha prevê mecanismos de proteção contra violência física, psicológica ou moral, e sua aplicação entre parlamentares não é inédita, como lembra análise da CNN Brasil sobre casos recentes de violência política de gênero.
“Ela veio aqui apenas em busca de likes”, disparou Erika Hilton durante a sessão, provocando a reação de Rosana Valle.
Entenda o peso jurídico da ameaça
Ao anunciar que pode registrar boletim de ocorrência, Valle insere o debate da violência política no âmbito da legislação doméstica — um movimento que, se confirmado, abrirá precedente para a aplicação da Lei Maria da Penha em situações dentro do Parlamento. Criada em 2006, a lei fortaleceu a proteção às mulheres e, desde 2021, foi citada pela Justiça Eleitoral para punir casos de violência política de gênero.
Hilton, uma das primeiras deputadas federais trans do país, já denunciou ataques transfóbicos em plenário e pressiona a Casa por protocolos mais rígidos de segurança. Organizações como a ONU Mulheres alertam que a violência verbal dentro dos Legislativos afasta mulheres da vida pública, prejudicando a representatividade e o debate democrático.
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Crédito da imagem: Divulgação / Câmara dos Deputados