Entenda como o acordo pode revelar o tamanho real do rombo previdenciário
Mauricio Camisotti — empresário apontado como operador de descontos irregulares em benefícios assistenciais — confessou participação nas fraudes e sacramentou o primeiro acordo de delação premiada relacionado à chamada “farra do INSS”, segundo documentos tornados públicos recentemente.
- Em resumo: Delação abre caminho para identificar servidores e empresas que lucraram com descontos ilegais em aposentadorias.
Como funcionava o esquema de descontos
Investigadores descrevem que, por meio de convênios com entidades de fachada, valores eram retidos diretamente na folha de pagamento dos segurados, escapando da fiscalização padrão do Instituto. Em 2023, operação coordenada pela Polícia Federal já estimava perdas de R$ 300 milhões, número que pode subir com os novos depoimentos, de acordo com informações do G1.
“Em alguns casos, a soma dos descontos superava 30% do benefício, violando o limite permitido por lei”, diz trecho do acordo de colaboração homologado pela Justiça Federal.
Impacto nas contas públicas e próximos passos
A delação ocorre em um momento de pressão sobre o caixa da Previdência: o déficit do Regime Geral atingiu R$ 278 bilhões em 2023, segundo dados oficiais do Tesouro. Especialistas alertam que brechas normativas, como as exploradas no caso Camisotti, agravam o desequilíbrio e elevam o risco de cortes em programas sociais. O Ministério da Previdência avaliará a implementação de um novo sistema de verificação automática de convênios, inspirado em modelos usados pela Receita Federal.
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Crédito da imagem: Divulgação / Gazeta do Povo