Multidões tomam ruas 40 dias após morte de Ali Khamenei

Deivid Jorge Benetti
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Ato mistura luto coletivo, promessas de vingança e apoio ao novo líder

Irã – Nesta quinta-feira (9), avenidas de Teerã e de outras centenas de cidades ficaram tomadas por manifestantes que lembraram o 40º dia do assassinato do aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra em um bombardeio atribuído a Israel e Estados Unidos.

  • Em resumo: procissões exibiram retratos de Khamenei, 168 meninas mortas em Minab e altos oficiais caídos no conflito.

Vigílias se convertem em demonstração de força

Da Praça Jomhouri, na capital, até o local do ataque, cânticos pediam vingança e reafirmavam apoio ao sucessor, aiatolá Mojtaba Khamenei. A transmissão ao vivo da Band — retransmitindo sinal da estatal Press TV — exibiu mar de bandeiras nacionais e faixas contra Washington e Tel Aviv. Segundo dados compilados pela Reuters, mais de 3 mil civis iranianos já morreram desde o início da ofensiva, e 40 % das vítimas continuam sem identificação.

“Existe uma base de sustentação da República Islâmica. A agressão externa faz até críticos internos desejarem que o regime se mantenha para evitar uma invasão”, avaliou o antropólogo Paulo Hilu, da UFF.

Escalada regional aprofunda divisões internas

O Irã vive histórico de mobilizações nos “quarenta dias” — tradição xiita que transforma luto em ato político. Desta vez, porém, a guerra ampliou repercussão global: o governo acusa Israel e EUA de “martirizar” Khamenei, enquanto chanceleres ocidentais veem estratégia de coesão interna. Internamente, opositores continuam ativos, mas a ameaça estrangeira catalisa adesões ocasionais ao regime, repetindo o padrão observado na Revolução de 1979.

A Assembleia dos Especialistas, formada por 88 clérigos eleitos, manteve-se em sessão permanente, mas não indicou revisão na sucessão que concentra Poder Moderador, Forças Armadas e Conselho dos Guardiões sob Mojtaba. Especialistas lembram que esse arranjo garante continuidade mesmo em cenários de guerra prolongada, fator que pode reposicionar alianças no Oriente Médio.

O que você acha? A comoção popular reforça o regime ou acende novos focos de contestação? Para mais análises sobre o conflito, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

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Deivid Jorge Benetti é jornalista e criador do portal Mostrando pra Você, com foco em cobertura política nacional e regional. Atua na análise de decisões governamentais, movimentações do cenário político e impactos diretos na sociedade, com atenção especial ao Rio Grande do Sul e à cidade de Porto Alegre. Com uma abordagem direta e informativa, busca traduzir temas complexos da política em conteúdos acessíveis ao público, mantendo o compromisso com a clareza, atualização e relevância das informações.