Relatório de Washington reacende risco de disputa internacional
Governo Trump voltou a classificar o Pix como prática de concorrência desleal em documento recém-publicado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avalia medidas contra o Brasil e mantém o caso sob investigação.
- Em resumo: Washington sustenta que o Banco Central favorece o Pix em prejuízo de gigantes americanas como Visa e Mastercard.
Por que o Pix entrou na mira dos EUA
O USTR acusa o sistema instantâneo de reduzir barreiras de custo apenas para players domésticos, “distortendo” o mercado de pagamentos, segundo trecho do relatório obtido pela Reuters. A queixa já havia sido registrada em novembro, mas agora ganhou tom mais duro.
“O modelo brasileiro cria desequilíbrio competitivo ao oferecer liquidação gratuita, algo que operadoras estrangeiras não conseguem replicar”, diz o documento.
Quais cartas Washington ainda pode jogar
Conforme especialistas em comércio exterior, os Estados Unidos podem solicitar consultas formais ao governo brasileiro e até abrir painel na OMC — caminho usado no passado para contestar subsídios a indústrias estratégicas. Outra via seria aplicar tarifas compensatórias a produtos brasileiros, repetindo o roteiro visto em disputas agrícolas na década passada.
Para o Banco Central, o Pix democratiza pagamentos e estimula inovação; desde 2020, já soma mais de 150 milhões de usuários e responde por 42% das transações no país. Analistas lembram que, nos EUA, soluções como FedNow e Zelle avançam lentamente, ampliando a pressão sobre Washington para proteger empresas nacionais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters