Relatório de direitos humanos acende novo embate diplomático entre Havana e Washington
Cuba – Em nota divulgada recentemente, o governo cubano acusou os Estados Unidos de “sufocar” a já fragilizada economia da ilha ao incentivar investigações e sanções contra suas missões médicas no exterior, pouco depois de a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apontar “graves violações” de direitos humanos nesses programas.
- Em resumo: Havana diz que a ofensiva de Washington ameaça um setor que rende mais de US$ 6 bilhões anuais em divisas.
Pressão americana mira principal fonte de receita de Havana
O Ministério das Relações Exteriores cubano afirmou que as ações dos EUA “visam desarticular” as brigadas médicas, presentes em mais de 50 países e responsáveis por parte expressiva do PIB da ilha. De acordo com dados compilados pela Reuters, os contratos de cooperação em saúde respondem por cerca de 10% das receitas externas cubanas, superando até o turismo em determinados anos.
“A declaração vem após a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) relatar graves violações de direitos humanos nas missões”, destacou o comunicado oficial citado pela mídia estatal.
Entenda o histórico: sanções, migração e disputa pela narrativa
Desde 2019, Washington incluiu vários altos funcionários cubanos em listas de sanções, alegando “trabalho forçado” de profissionais de saúde. Organizações independentes sustentam que médicos recebem apenas uma fração dos salários pagos pelos países anfitriões, enquanto Havana nega irregularidades e aponta que o programa já atendeu mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo.
Especialistas lembram que a perda dessas receitas agravaria o cenário de desabastecimento de combustíveis e alimentos na ilha, que enfrenta a pior crise migratória em décadas. Analistas sugerem que o tema deve ganhar peso nas negociações sobre flexibilização do embargo, questão que voltou à mesa após a mudança de administração em Washington.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images