Corrupção, economia travada e cansaço popular viram munição eleitoral
Viktor Orbán enfrenta neste domingo (12) seu primeiro risco concreto de derrota desde 2010: o ex-aliado Péter Magyar, 45, lidera as pesquisas independentes com vantagem de dois dígitos e promete desmontar o sistema que ele mesmo conheceu por dentro.
- Em resumo: Magyar rompeu com o Fidesz, denuncia corrupção sistêmica e hoje aparece 13 pontos à frente de Orbán.
Como Magyar virou o rosto da mudança em apenas dois anos
Ex-assessor do governo, o candidato renovou o partido de centro-direita Tisza e percorre o país em maratona de comícios, estratégia decisiva numa Hungria sem debates televisivos. Segundo levantamento da Reuters, ele conseguiu capitalizar o descontentamento com inflação, salários estagnados e a última posição do país no ranking anticorrupção da UE.
“Orbán garantiu que seus redutos sejam super-representados e que a oposição enfrente uma batalha mais difícil pelo poder”, analisam Liana Fix e Benjamin Harris, do Council on Foreign Relations.
Pressão externa: Bruxelas, Washington e Moscou de olho no resultado
Além de restaurar o Estado de Direito, Magyar promete reatar laços com a União Europeia para liberar €17 bilhões retidos por violações às normas do bloco. O desfecho interessa também à Ucrânia: Orbán tem bloqueado pacotes de ajuda militar, alinhado a Vladimir Putin. De Washington, Donald Trump enviou o vice JD Vance a Budapeste na tentativa de estancar a queda do premiê, reforçando a dimensão geopolítica da disputa.
Caso eleito, Magyar precisará de maioria absoluta para rever a Constituição moldada pelo Fidesz. Sem isso, as reformas poderão emperrar em um Parlamento redesenhado para favorecer o governo, cenário que mantém a incerteza mesmo diante da folga nas pesquisas.
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Crédito da imagem: Reuters / Bernadett Szabo