Montante perdido expõe como a corrupção aprofunda o déficit habitacional
INSS e Banco Master estão no centro de um desvio que pode atingir R$ 50 bilhões, valor capaz de financiar meio milhão de moradias populares e beneficiar até 3 milhões de brasileiros, segundo investigações ainda sob sigilo parcial.
- Em resumo: Desvios equivalem à construção de 500 mil casas populares.
- Fraude em pensões soma até R$ 10 bi; aplicações de fundos de pensão elevam o rombo em mais R$ 40 bi.
Onde o dinheiro sumiu — e quem paga a conta
Os descontos não autorizados em benefícios do Instituto e as perdas nos fundos vinculados ao Banco Master compõem a maior fatia do rombo. Relatórios preliminares mostram que, apenas entre 2023 e 2024, aposentados perderam até R$ 10 bilhões, enquanto investimentos malsucedidos em fundos de pensão adicionaram outros R$ 40 bilhões, conforme dados citados pela Reuters.
“A corrupção brasileira é um programa social às avessas, pois implica uma transferência de renda substancial dos pobres para os ricos.”
O impacto habitacional ignorado
Uma casa popular de 45 m² custa cerca de R$ 100 mil. Com os R$ 50 bilhões desviados seria possível erguer 500 mil unidades — quase doze vezes o total de 43 mil moradias entregues pelo governo federal até o fim de 2025. Se aplicados no Minha Casa, Minha Vida, esses recursos reduziririam em 3 % o déficit habitacional de 8 milhões de unidades, segundo a Fundação João Pinheiro.
Economistas destacam que cada R$ 1 bilhão investido em habitação gera, em média, 62 mil empregos diretos e indiretos na construção civil. Assim, além de ampliar a desigualdade, o desvio teria retirado da economia a chance de criar mais de 3 milhões de postos de trabalho.
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Crédito da imagem: Divulgação / Revista Oeste