Ghalibaf desafia Washington a atender condições “sem hesitar”
Irã – O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou no último domingo, 12, que a delegação iraniana deixou a rodada de 21 horas de negociações no Paquistão sem qualquer acordo porque “os Estados Unidos não conquistaram nossa confiança”. A fala sinaliza que Teerã só volta à mesa se Washington apresentar garantias concretas.
- Em resumo: Falta de confiança travou o diálogo e mantém o Estreito de Ormuz como ponto crítico.
Confiança abalada e 21 horas de conversas sem acordo
Segundo Ghalibaf, a delegação apresentara “iniciativas promissoras”, mas os representantes norte-americanos não corresponderam. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confirmou o colapso das tratativas, atribuindo o impasse à recusa iraniana em aceitar a “proposta final”. Em nota, o porta-voz Esmail Baqaei citou divergências sobre o controle do Estreito de Ormuz, rota por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, de acordo com levantamento da Reuters.
“Agora cabe a Washington decidir se pode cumprir as condições do Irã e demonstrar verdadeira boa-fé.” – Mohammad Bagher Ghalibaf, em rede social.
Estreito de Ormuz segue como peça-chave da disputa
O Estreito de Ormuz, onde Donald Trump ameaça impor bloqueio naval, volta a ser moeda de troca estratégica. Teerã exige liberdade para cobrar taxas de navios que cruzem a passagem, algo inédito e visto pelo Ocidente como risco a cadeias de suprimento globais. Analistas lembram que, em 2019, tensões semelhantes chegaram a disparar o preço do barril em 10% após ataques a petroleiros.
Além da rota marítima, Washington pressiona por um compromisso explícito de que o Irã não buscará armas nucleares “nem os meios para obtê-las rapidamente”. Até aqui, Teerã sinaliza disposição para novas conversas, mas só “com garantias verificáveis” — um ponto que pode prolongar o cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão, mas sem garantir a paz definitiva.
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