Acusações de execuções extrajudiciais voltam a cercar ofensiva antinarcotráfico
Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom) – O braço militar responsável pelas ações norte-americanas na América Latina confirmou, nesta segunda-feira (13/4), que dois tripulantes morreram após um ataque a uma embarcação tida como rota clássica do tráfico de drogas no Pacífico Oriental.
- Em resumo: ofensiva já contabiliza 170 mortos e segue sem provas públicas que liguem as lanchas ao narcotráfico.
Campanha já soma 170 mortes e poucas provas públicas
Segundo o Southcom, a lancha navegava “em corredor conhecido de narcotráfico”, justificativa semelhante à usada em ataques anteriores. Entretanto, até agora, Washington não apresentou evidências concretas que conectem as vítimas ao crime organizado. Um levantamento da Reuters mostra que essa é a quarta operação letal em alto-mar somente neste ano.
“O governo dos EUA está em guerra contra o que chama de ‘narcoterroristas’ na região”, apontou nota oficial citada pelo Southcom.
Especialistas questionam base legal dos ataques marítimos
Juristas ouvidos por organizações de direitos humanos alertam que essas ações podem configurar execuções extrajudiciais, uma vez que as embarcações não representariam ameaça imediata ao território norte-americano. O professor de Direito Internacional da Universidade da Flórida, Mark Douglas, relembra que convenções marítimas exigem provas robustas antes de qualquer ação letal fora de zona de guerra reconhecida.
Historicamente, os EUA mantêm patrulhas no Pacífico e no Caribe desde a década de 1980, mas o volume de ataques com armamento pesado disparou após 2024, quando relatórios da Administração de Controle de Drogas (DEA) sugeriram o crescimento de cartéis usando rotas marítimas mais longas para driblar vigilâncias aéreas latino-americanas. Em 2025, uma operação similar perto das Ilhas Galápagos gerou protesto formal do Equador.
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Crédito da imagem: Divulgação / Southcom