Operação migratória amplia pressão sobre ex-diretor da Abin
Alexandre Ramagem – detido recentemente em Orlando – viu um simples alerta viário transformar-se na confirmação de que vivia nos Estados Unidos de forma irregular, mesmo após ser condenado a 16 anos pelo Supremo Tribunal Federal. A checagem de documentos na via pública era, na prática, a etapa final de uma investigação conjunta que já monitorava seus passos desde 2025.
- Em resumo: o ICE usou a suposta infração como porta de entrada para prender um foragido internacional.
Infrações ocultavam cooperação Brasil-EUA
Fontes da Polícia Federal apontam que agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement vinham rastreando o carro comprado por Ramagem com passaporte bloqueado. Segundo o G1, o alerta de trânsito serviu apenas para legitimar a abordagem em área pública, prática comum quando já há indícios sólidos contra o alvo.
“A suposta infração não foi a causa da prisão, mas um pretexto operacional para verificar a situação migratória”, diz relatório interno da PF obtido pelo portal.
O que pode acontecer após a audiência
Especialistas lembram que, em casos semelhantes, o juiz de imigração costuma dar duas saídas: deportação sumária por overstay de visto ou extradição, se o país de origem comprovar que a condenação não tem motivação política. Desde 2026, Brasília mantém um pedido formal de extradição, baseado no tratado bilateral de 1962, que prevê cooperação quando a pena supera um ano de prisão.
Além disso, o histórico de Ramagem como ex-diretor da Abin, acusado de tentar subverter o Estado Democrático de Direito, pesa contra qualquer alegação de asilo. Dados do Migration Policy Institute mostram que apenas 9% dos pedidos de proteção feitos por indivíduos já condenados em seus países são aceitos pelos EUA.
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Crédito da imagem: Divulgação / ICE