Relatório indica sobrecarga e contaminação crescente em poços brasileiros
Águas subterrâneas sustentam boa parte do consumo humano no Brasil e, segundo especialistas, enfrentam pressão inédita de captação e poluentes, cenário que pode comprometer o fornecimento nas próximas décadas.
- Em resumo: Captação acelerada e contaminação química ameaçam a principal reserva hídrica do país.
Dependência nacional: do semiárido às metrópoles
Estudos da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que mais de 60% dos municípios usam poços como fonte dominante de abastecimento – inclusive capitais como Teresina e Recife. Em 2023, um levantamento divulgado pela Reuters reforçou que a extração indiscriminada faz o nível dos aquíferos cair em até 2 m por ano em áreas agrícolas do Centro-Oeste.
“Sem monitoramento rigoroso, regiões que hoje dependem exclusivamente dessas reservas poderão enfrentar racionamentos permanentes”, alerta a ANA em nota técnica recente.
Por que o risco é invisível – e caro
Diferentemente dos rios, aquíferos demoram séculos para recarregar. Quando poços são perfurados sem controle, a infiltração de agrotóxicos e esgoto doméstico acelera a degradação. Dados da Universidade Federal de Pernambuco mostram que o custo do tratamento de água extraída de lençóis contaminados pode dobrar o preço final na rede pública.
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Crédito da imagem: Divulgação / O Antagonista