Brasil quer vender hidrogênio verde e manter empregos na era da IA
Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a abertura da Hannover Messe, maior feira industrial do planeta, para propor à União Europeia um acordo que ligue a matriz energética limpa brasileira às metas de descarbonização do bloco, sem criar novas barreiras comerciais.
- Em resumo: Lula promete energia barata ao bloco, pede regras justas e alerta para impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Energia limpa como ativo estratégico
Na presença do chanceler alemão, o presidente lembrou que 90% da eletricidade nacional é renovável e que o país pode fornecer hidrogênio verde “mais barato do mundo”. Ele afirmou que taxar biocombustíveis seria “contraproducente” e reforçou a meta de zerar o desmatamento até 2030.
“Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto energético”, disse Lula, sob aplausos.
IA, jornada de trabalho e novo acordo Mercosul-UE
Além do clima, o discurso trouxe preocupação social. O presidente defendeu o fim da escala 6×1 no Brasil e pediu que empresas e pesquisadores calculem, desde já, os efeitos da inteligência artificial sobre os postos de trabalho. Citou ainda a iminente entrada em vigor do acordo Mercosul-UE, que formará um mercado de 720 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões em PIB.
Especialistas apontam que, se couber ao Brasil exportar tecnologia junto aos minerais críticos que possui — nióbio, grafita e níquel — o país pode captar parte dos € 800 bilhões previstos no Green Deal europeu, reforçando cadeias de baterias e semicondutores.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil