Rigidez fiscal aumenta tensão social e desafia Casa Rosada
Javier Milei – Desde a última terça-feira (21/4), o presidente argentino encara cobranças crescentes para mostrar que seu plano de choque consegue, ao mesmo tempo, domar a inflação de dois dígitos e devolver fôlego ao consumo das famílias.
- Em resumo: Milei mantém a “motosserra” fiscal, mas admite que “nem todos estão melhor” sob seu governo.
- Economistas aliados alertam que recessão prolongada pode corroer capital político ainda em 2026.
Motosserra ligada, mas bolsos vazios
O Palácio presidencial sustenta cortes agressivos e superávit primário, mesmo após sinais de desconforto nas ruas e críticas de analistas que apoiaram a campanha. Segundo a Reuters, a atividade econômica encolheu 3,6% no primeiro trimestre, enquanto o índice de preços segue acima de 150% ao ano.
“Voy a seguir manteniendo la dureza fiscal: la motosierra sigue encendida”, reiterou Milei, descartando mudanças de rota.
Custo político de uma recessão prolongada
Historicamente, governos argentinos que tentaram estabilizar preços por meio de cortes drásticos — como Raúl Alfonsín, em 1989, e Mauricio Macri, em 2018 — viram sua base de apoio ruir antes que os benefícios aparecessem. Especialistas lembram que a confiança do consumidor já atingiu o menor patamar desde 2020, enquanto sindicatos ensaiam novas paralisações.
Analistas projetam que, se não houver estímulos pontuais a setores intensivos em mão de obra, a taxa de desemprego pode ultrapassar 10% ainda neste semestre, ampliando a pressão sobre o peso e, paradoxalmente, sobre a própria inflação.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters