Guarda Revolucionária desafia cessar-fogo e pressiona comércio marítimo
Irã intensificou a tensão no Golfo ao atacar três navios no Estreito de Ormuz na última quarta-feira (22), apreendendo dois porta-contêineres e abalando a já frágil trégua com os Estados Unidos.
- Em resumo: cargueiros MSC Francesca e Epaminondas foram escoltados à costa iraniana após disparos que danificaram a ponte de comando de um deles.
Escalada após prorrogação de Trump amplia risco para petróleo
O episódio ocorre poucas horas depois de o presidente norte-americano Donald Trump estender, “por tempo indeterminado”, o cessar-fogo bilateral, movimento visto em Teerã como sinal de fraqueza. Especialistas lembram que cerca de 20% do petróleo mundial cruza diariamente o Ormuz; qualquer bloqueio pressiona cotações e seguros marítimos, como alertou a Reuters.
“A situação no Estreito de Ormuz permanecerá sob controle rígido e inalterada enquanto os Estados Unidos não permitirem a liberdade de navegação com origem e destino no Irã”, declarou um porta-voz militar iraniano à agência Fars.
Navegação sob fogo: histórico e consequências econômicas
Desde 2019, Teerã coleciona mais de uma dezena de incidentes semelhantes, segundo a Lloyd’s List Intelligence. O bloqueio tácito reduziu em 15% o fluxo de navios comerciais de bandeira ocidental em 2024, elevando fretes e desviando rotas para o Cabo da Boa Esperança, viagem que adiciona até 10 dias aos prazos de entrega.
Analistas ouvidos pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos avaliam que a apreensão dos navios panamenhos pretende forçar Washington a aliviar sanções que impedem pagamentos por exportações iranianas de petróleo. Já Atenas nega que o Epaminondas esteja retido, o que indica batalha paralela de narrativas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Tasnim News Agency