Retaliação escancara tensão diplomática na cooperação policial
Polícia Federal – Na última quarta-feira (22), o diretor-geral Andrei Rodrigues cancelou as credenciais de um oficial de imigração dos Estados Unidos que atuava dentro dos sistemas da corporação, aplicando o princípio da reciprocidade depois que Washington suspendeu o acesso do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho.
- Em resumo: Brasil retira no ato o acesso de agente americano após os EUA afastarem delegado da PF que servia em Miami.
Reciprocidade imediata após barrar delegado brasileiro
Rodrigues afirmou que adotou a medida porque Carvalho, oficial de ligação da PF junto ao ICE, teve seu crachá bloqueado ao chegar para trabalhar nos EUA. O Departamento de Estado alegou, em nota pública, que “nenhum estrangeiro tem o direito de manipular nosso sistema de imigração”, conforme reportado pela G1.
“Solicitamos que a autoridade brasileira deixe o nosso país por tentar contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”, declarou o governo norte-americano.
O que está em jogo para Brasília e Washington
A troca de retaliações ocorre em meio a uma cooperação policial de quase 40 anos, fundamental para operações conjuntas de combate ao narcotráfico e ao tráfico de pessoas. Dados do Departamento de Justiça apontam que, apenas em 2023, missões mistas Brasil-EUA resultaram em mais de 120 prisões transnacionais. Interromper o compartilhamento de sistemas pode atrasar investigações em curso e reduzir o fluxo de inteligência em tempo real.
No Congresso, a oposição aproveitou o episódio: o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) protocolou pedido de destituição do ministro da Justiça, Wellington Dias, alegando que a crise compromete “a credibilidade internacional do Brasil”. O Itamaraty, por sua vez, convocou diplomatas norte-americanos e classificou a ação dos EUA como “decisão sumária” que fere o memorando bilateral de 2013.
Historicamente, impasses semelhantes foram resolvidos com missões técnicas e consultas de alto nível, evitando escaladas. Especialistas em direito internacional lembram que a reciprocidade é legítima, mas recomenda-se manter canais abertos para que o episódio não afete acordos de extradição ou vistos de trabalho, como ocorreu em 2002 no chamado “escândalo dos digitais”.
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Crédito da imagem: Divulgação / Jovem Pan