Pressão diplomática reacende debate sobre narcotráfico e política no México
Rubén Rocha Moya — governador de Sinaloa — foi acusado recentemente por promotores de Nova York de colaborar com o cartel local, arrastando o gabinete da presidente Claudia Sheinbaum para a mais delicada crise com os Estados Unidos desde o início do mandato.
- Em resumo: Washington quer Rocha Moya extraditado; Cidade do México resiste para não desidratar politicamente o Morena.
Trump eleva o tom e ameaça sanções comerciais
O ex-presidente Donald Trump, em campanha para retornar à Casa Branca, voltou a condicionar acordos migratórios a “medidas exemplares” contra autoridades mexicanas supostamente ligadas ao crime organizado, segundo reportou a Reuters. Analistas veem na ofensiva jurídica um recado direto a Sheinbaum: coopere ou enfrente barreiras tarifárias que podem afetar a balança de US$ 780 bilhões entre os dois países.
“O caso coloca o governo mexicano diante de um dilema: defender um aliado político ou preservar a relação econômica vital com os Estados Unidos”, avalia o professor de Relações Internacionais Arturo Hernández, da UNAM.
Cenário interno: violência em Sinaloa e desgaste para o Morena
Sinaloa registra mais de um ano de confrontos entre facções rivais dos “Chapitos” e “Mayiza”, segundo dados oficiais. Embora o Estado tenha encerrado março abaixo de 100 homicídios — melhor marca em 18 meses —, organizações civis atribuem a queda à presença maciça do Exército, não a políticas locais.
A acusação chega em momento sensível: o Morena prepara convenções regionais e teme que a judicialização de Rocha Moya fortaleça adversários na eleição intermediária de 2027. Históricos apontam que casos semelhantes, como a prisão do ex-secretário de Segurança Genaro García Luna em 2020, abalaram percepções de governabilidade e geraram perdas de até 5 p.p. na aprovação presidencial.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters