Nos bastidores, governo e oposição calculam ganhos em plena tensão pré-30 de abril
Davi Alcolumbre – presidente do Senado – colocou a derrubada dos vetos à “PL da Dosimetria” como pauta única da sessão conjunta do próximo dia 30, movimento que, segundo aliados, sinaliza a retirada de pressão para instalar a CPMI do Banco Master.
- Em resumo: votação que pode reduzir penas de golpistas de 8/1 vira moeda de troca para adiar investigação sobre o Banco Master.
Oposição admite acordo, mas cobra resultado imediato
Enquanto a cúpula do Congresso evita a nova CPI, nomes como Cabo Gilberto (PL-PB) dizem que topam concentrar esforços apenas nos vetos – contanto que os condenados do 8 de janeiro sejam beneficiados. A avaliação coincide com a pouca disposição de líderes partidários em abrir outra frente de desgaste em ano eleitoral, quadro analisado também pela agência Reuters.
“Se tiver um acordo para a sessão conjunta só para derrubar os vetos, para essas pessoas irem pra casa, eu vou me comprometer”, afirmou Cabo Gilberto.
Indicação de Messias ao STF entra no xadrez político
A sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça foi marcada para 29 de abril, véspera da sessão sobre a dosimetria. A leitura no Planalto é de que Alcolumbre “dá um doce para cada lado”: avança no nome de Lula ao Supremo e, logo depois, atende ao desejo oposicionista de rever penas do 8/1 – mas sem CPMI.
Analistas lembram que indicações ao STF historicamente ganham tração quando o presidente do Senado se sente confortável. Em 2020, por exemplo, o processo de Kassio Nunes Marques levou 23 dias entre mensagem e posse; agora, Messias aguardou 132 dias até o envio formal, refletindo a cautela de Alcolumbre diante das investigações que cercam o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1