Decisão da PM expõe debate sobre privilégios e impunidade na corporação
Erika Hilton criticou publicamente, na última quinta-feira (2.abr.2026), a concessão de aposentadoria ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana.
- Em resumo: Oficial permanece preso, mas garantiu salário estimado em R$ 20 mil na reserva.
Salário de R$ 30 mil na reserva em meio à prisão preventiva
O pedido de transferência para a reserva foi aprovado mesmo após a detenção preventiva em 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes. Dados do Portal da Transparência mostram remuneração bruta superior a R$ 28 mil antes do afastamento — valor que deve cair pouco, para cerca de R$ 20 mil. Casos semelhantes, segundo levantamento do G1, costumam levar meses para serem analisados, mas o processo do coronel foi concluído em menos de três semanas.
Hilton alertou que a Justiça Militar “pode ver essa aposentadoria com bons olhos e inocentá-lo”.
Justiça Militar sob pressão e o impacto para a segurança pública
Especialistas em direito penal destacam que a Justiça Militar julga apenas 3 % dos homicídios praticados por policiais, mas registra índice de absolvição quase duas vezes maior que o Tribunal do Júri comum. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública indica que, em 2025, 7 % dos feminicídios tiveram agentes de segurança como suspeitos — percentual que reacende o debate sobre mecanismos de controle externo.
Hilton também responsabilizou o governo de Tarcísio de Freitas pela condução da segurança e apontou interferências: a cena do crime teria sido alterada para simular suicídio, e um desembargador chegou a prestar apoio público ao oficial. O inquérito policial militar está na fase final e deve ser remetido à Justiça nas próximas semanas.
O que você acha? A Justiça Militar oferece garantias demais a policiais acusados de crimes graves? Para entender outros casos e análises, acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Poder360