Especialistas alertam para impacto no abastecimento de água dos Andes
Congresso argentino aprovou recentemente um projeto que flexibiliza a Lei de Proteção de Geleiras, restringindo a salvaguarda ambiental e permitindo a instalação de empreendimentos de mineração em áreas antes intocáveis.
- Em resumo: texto aprovado reduz a zona protegida e atende a lobby do setor mineiro.
O que muda na prática
O texto, defendido pelo presidente Javier Milei, altera a definição de “ambiente periglacial”, limitando a proteção apenas ao gelo permanente. Áreas adjacentes, usadas como corredores de fauna e reserva hídrica, deixam de ter blindagem legal, liberando pedidos de concessão que estavam parados desde 2010, segundo dados compilados pela agência Reuters.
Relatório parlamentar indica que 44 projetos de mineração metálica poderão avançar imediatamente, principalmente extração de cobre e lítio, vitais para a transição energética mundial.
Pressão econômica x crítica ambiental
O governo argumenta que a medida atrairá até US$ 20 bilhões em investimentos e criará milhares de empregos no interior andino. Organizações ambientais, porém, afirmam que o derretimento acelerado das geleiras — já 30% menor em volume desde 1980 — tende a piorar, ameaçando fontes de água potável de cidades como Mendoza e San Juan. O conflito reflete a dificuldade de equilibrar a busca por divisas com a segurança hídrica em um país que enfrenta inflação anual superior a 140% e forte escassez de reservas internacionais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters