Delegação libanesa leva ultimato a Israel em encontro nos EUA
Líbano – Em meio à continuidade dos bombardeios na fronteira, Beirute avisou que só abrirá diálogo de paz se Tel Aviv concordar primeiro com um cessar-fogo total contra o Hezbollah, revelaram fontes oficiais à agência Reuters recentemente.
- Em resumo: Trégua virou pré-requisito libanês para qualquer tratado de paz.
Washington vira palco de possível virada diplomática
Autoridades confirmaram que representantes libaneses, israelenses e norte-americanos se reúnem na próxima semana no Departamento de Estado, em Washington. Segundo informou a Reuters, a missão libanesa pretende “discutir e anunciar” a paralisação dos ataques ainda no encontro.
“Precisamos dos Estados Unidos como mediador e garantidor de qualquer acordo”, afirmou uma autoridade de alto escalão de Beirute à agência.
Trégua anterior ruiu em março; tensão remonta a 2006
O pedido libanês ecoa a trégua de 20 dias mediada por Washington em novembro de 2024, rompida em março logo após a guerra que envolveu EUA, Israel e Irã. Desde a guerra de 2006, quando o Hezbollah enfrentou Israel durante 34 dias, fronteira e espaço aéreo seguem sob vigilância constante. Analistas lembram que o movimento xiita controla parte do sul do Líbano e integra o Parlamento, o que complica qualquer acordo sem sua anuência.
Fontes israelenses admitem planejamento para “reduzir a intensidade” das operações nos próximos dias, mas o Exército reiterou que “a operação no Líbano continua”. O impasse também envolve se o país estava ou não incluído no cessar-fogo anunciado por EUA e Irã nesta semana; Washington e Tel Aviv dizem que não, enquanto Beirute, Paquistão e Teerã defendem o contrário.
Para especialistas de centros como o International Crisis Group, um cessar-fogo agora poderia abrir caminho para tratados de delimitação marítima — similares ao acordo histórico de 2022 sobre gás no Mediterrâneo — e, a longo prazo, reduzir o risco de uma guerra regional envolvendo Síria e Irã.
O que você acha? O cessar-fogo deve ser condição ou consequência das negociações? Para mais análises sobre o cenário internacional, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Reuters / Divulgação