Escalada no Estreito de Ormuz ameaça suprimento global de petróleo
Irã – Na última quinta-feira (2), Teerã confirmou que só permitirá o trânsito de embarcações “não hostis” pelo Estreito de Ormuz, mantendo fechada a rota por onde passa um quinto do petróleo mundial e inflamando tensões diplomáticas.
- Em resumo: 40 países, liderados pelo Reino Unido, cobram a reabertura imediata da passagem estratégica.
Pressão global aumenta enquanto EUA se mantêm de fora
Em videoconferência com representantes de 40 nações, Londres acusou o Irã de “manter a economia mundial como refém”. A reunião ocorreu sem a presença de Washington, depois que o presidente Donald Trump declarou que a segurança da rota “não é responsabilidade americana”. Segundo a Reuters, o Conselho de Cooperação do Golfo pediu ao Conselho de Segurança da ONU autorização para uso da força, caso o bloqueio persista.
“O estreito permanecerá fechado a longo prazo para navios ligados a EUA e Israel”, reiterou Kazem Gharibabadi, vice-chanceler iraniano.
Mercado de energia sente o impacto imediato
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques a navios comerciais e a cotação do barril do Brent já acumula alta superior a 18%. Analistas lembram que episódios menores em 2019, quando o Irã apreendeu petroleiros britânicos, elevaram o preço do barril em até 10% em uma semana. Agora, com a paralisação quase total do tráfego – a Lloyd’s List contabiliza somente petroleiros iranianos burlando sanções – o receio é de escassez global de fertilizantes e diesel, pressionando inflação e cadeias logísticas.
Enquanto Omã negocia um protocolo de segurança com Teerã para “o dia seguinte ao conflito”, diplomatas europeus discutem sanções adicionais que incluiriam restrições bancárias e tecnológicas. A Rússia, aliada do Irã, garante livre passagem para suas embarcações, reforçando a divisão geopolítica em torno do corredor marítimo.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters