Compartilhamento de dados em tempo real deve acelerar fiscalizações nos portos
Brasil e Estados Unidos firmaram recentemente um acordo aduaneiro que permitirá o fluxo imediato de informações de inteligência para identificar armas e drogas escondidas em contêineres que cruzam o Atlântico, aumentando a pressão sobre organizações criminosas que se aproveitam do comércio exterior.
- Em resumo: autoridades dos dois países passarão a trocar alertas sobre cargas suspeitas antes mesmo de os navios atracarem.
Como funcionará o intercâmbio de inteligência
Segundo o Ministério da Fazenda, os sistemas da Receita Federal serão integrados a bancos de dados do U.S. Customs and Border Protection (CBP). A iniciativa espelha programas já usados em portos norte-americanos para prevenir contrabando e terrorismo. De acordo com a agência Reuters, o modelo reduz em até 70% o tempo de resposta em inspeções, pois as equipes recebem o dossiê completo da carga antes da abertura do contêiner.
“Autoridades aduaneiras compartilharão informações de inteligência para identificar possíveis armas e drogas nos contêineres que viajam entre os países.”
Histórico de cooperação e efeitos esperados
O pacto amplia uma série de iniciativas bilaterais iniciadas nos anos 2000, como a Container Security Initiative, que já monitora terminais em Santos e Itaguaí. Em 2022, o Brasil movimentou mais de US$ 280 bilhões em comércio exterior; apenas 2% dos contêineres são verificados fisicamente, segundo dados oficiais. Com alertas antecipados, a Receita projeta dobrar esse percentual sem comprometer o fluxo logístico.
Especialistas apontam que o corredor Brasil-EUA é visado por cartéis latino-americanos, sobretudo no envio de cocaína disfarçada em cargas de grãos e minérios. A nova camada de inteligência deve dificultar esse tipo de operação, além de fortalecer investigações sobre tráfico de armas que abastecem facções em grandes centros urbanos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Receita Federal