Cesio-137: relato inédito expõe bastidores do desastre em Goiânia

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Avô da médica atuou na linha de frente e descreveu o caos radioativo

Césio-137 – Em uma sequência de vídeos publicada recentemente, uma médica brasileira revelou anotações desconhecidas do avô, que integrou a equipe de resgate durante o acidente radiológico ocorrido em Goiânia, em 1987. O depoimento reabre discussões sobre protocolos de segurança e saúde pública mesmo 36 anos depois.

  • Em resumo: Relatos descrevem improviso, falta de equipamentos e impactos de longo prazo na saúde dos socorristas.

Viral nas redes resgata falhas na contenção do material

Nos vídeos, a profissional detalha que o avô manipulou diretamente a cápsula de césio-137 sem luvas especiais, confiando apenas em máscaras cirúrgicas distribuídas às pressas. Segundo ela, muitos colegas “não tinham noção da gravidade” do pó azulado que contaminou bairros inteiros. Documentos da época, arquivados pelo governo de Goiás e citados pelo G1, apontam que mais de 249 pessoas foram expostas e quatro morreram nas semanas seguintes.

“Ele descreveu a sensação de areia quente sobre a pele e o cheiro metálico no ar; só depois soube que era radiação em contato direto”, registra um dos trechos lidos pela neta.

Entenda por que o caso ainda assombra autoridades de saúde

Considerado pela Agência Internacional de Energia Atômica o maior acidente radiológico em área urbana, o episódio levou à revisão mundial de protocolos de descarte de equipamentos médicos. Especialistas lembram que o isótopo permanece ativo por cerca de 30 anos; portanto, parte do material ainda emite radiação residual. Em 2023, o Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares reforçou que solos e lençóis freáticos do entorno seguem monitorados sem interrupção.

A médica afirma que o avô, falecido em 2005, enfrentou problemas de pele e queda acentuada de imunidade durante anos, sintomas compatíveis com exposição crônica. Casos similares motivaram ações indenizatórias que somam R$ 45 milhões, segundo dados da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

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Crédito da imagem: Divulgação / Metropoles

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