Escalada regional mina aura de “porto seguro” construída em duas décadas
Catar e Emirados Árabes Unidos enfrentam pressão inédita desde que a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã ganhou força na última semana, abrindo fissuras na imagem de estabilidade que atraiu capital global.
- Em resumo: Especialistas alertam que receitas de gás e turismo podem despencar se o Golfo virar campo de batalha.
Riqueza energética se transforma em alvo estratégico
As vastas reservas de gás natural liquefeito (GNL) do Catar e a posição dos Emirados como hub financeiro passaram a ser vistos como “prêmios” militares, segundo analistas consultados pela Reuters. Uma interrupção nas rotas do Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, provocaria choque nos preços e travaria contratos de fornecimento longos assinados até 2050.
“Existência por gerações pode estar em risco”, advertem diplomatas do Golfo ao citar cenários de retaliação iraniana.
Megaprojetos, Copa da Ásia e Expo 2030 sob ameaça
A dependência de grandes eventos para fortalecer o soft power local é outra vulnerabilidade. Doha se prepara para a Copa da Ásia de 2024, enquanto Riad e Dubai disputam turistas de alto padrão. Qualquer sinal de instabilidade afasta companhias aéreas e investidores, replicando o que ocorreu durante o bloqueio ao Catar em 2017.
Além disso, o Fundo Monetário Internacional calcula que 60% do PIB catariano venha das exportações de energia, porcentagem que sobe para 70% quando se soma a cadeia de serviços nos Emirados. Uma escalada prolongada poderia obrigar ambos a rever subsídios domésticos, algo politicamente sensível na região.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC