Segurança vira ponto-chave na disputa enquanto crime organizado ganha terreno
Wellington Dias — ministro do Desenvolvimento Social e coordenador político da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva — reconheceu recentemente que a segurança pública se tornou um dos temas mais sensíveis da corrida eleitoral, ao afirmar que “o Brasil convive com um Estado oficial e um Estado paralelo”.
- Em resumo: Campanha petista vê avanço do crime como risco eleitoral e tenta conter crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
‘Estado paralelo’ expõe fragilidade do poder público
No diagnóstico de Dias, facções criminosas ocupam espaços onde o Estado não chegou com serviços básicos. A avaliação encontra eco em levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontam a expansão do controle territorial por grupos armados em grandes cidades.
“A criminalidade está misturada no Brasil. Temos o Estado oficial e o Estado paralelo”, declarou o coordenador, reforçando que a campanha de Lula precisará “mostrar soluções concretas” para reverter essa percepção junto ao eleitorado.
Contexto eleitoral e o avanço de Flávio Bolsonaro
O tema ganha peso porque, segundo pesquisas internas, o senador Flávio Bolsonaro — que herdou a agenda de segurança do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — tem subido nas intenções de voto justamente onde o medo da violência é maior. Para equilibrar o debate, o núcleo petista pretende destacar resultados de governos anteriores, como a redução de 16% nos homicídios entre 2003 e 2010, além de propor integração com estados e municípios.
Relatórios oficiais mostram que o país registrou 47,508 homicídios em 2022, taxa ainda superior à média global. Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que investimentos em inteligência e prevenção social se tornaram urgentes para evitar que facções como PCC e Comando Vermelho ampliem sua influência em regiões periféricas e rotas de fronteira.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC News