Relatório fiscal detalha pagamentos e levanta suspeitas de lobby político
Banco Master – Documentos da Receita Federal tornados públicos nesta quarta-feira (8) apontam que a instituição enviou cerca de R$ 24 milhões a duas empresas do Grupo Massa, do apresentador Ratinho, entre 2022 e 2025, atraindo a atenção da CPI do Crime Organizado no Congresso.
- Em resumo: Massa Intermediação recebeu R$ 21 mi; Gralha Azul Empreendimentos, R$ 3 mi.
Pagamentos cruzam mídia, cartão consignado e influência
Segundo a apuração, o grosso dos recursos financiou contratos de consultoria e divulgação do CredCesta, cartão consignado do Banco Master voltado a servidores públicos. A estratégia publicitária foi capitaneada pelo próprio Ratinho em seus espaços televisivos, ampliando o alcance do produto e, segundo especialistas ouvidos pela G1, “turbosina perfeita” para ganhar capilaridade nacional.
“Os contratos firmados não se confundem com eventuais condutas de terceiros”, afirmou o Grupo Massa em nota enviada à comissão.
Ratinho Junior citado; outros ex-ministros aparecem nos extratos
Embora o governador do Paraná, Ratinho Junior, seja filho do apresentador, o grupo empresarial reiterou que ele não figura no quadro societário das firmas. Nos papéis analisados pela CPI surgem também nomes como Michel Temer, ACM Neto, Guido Mantega e Henrique Meirelles, o que amplia o raio de investigação sobre possíveis elos entre financiamento privado e articulações políticas.
Para juristas, a inclusão de múltiplas figuras públicas obriga a comissão a mapear se as transações envolveram vantagens indevidas ou apenas parcerias comerciais legítimas. O Banco Master, que multiplicou sua carteira de crédito consignado em 55 % nos últimos três anos, está no radar de reguladores desde a explosão desse nicho em 2020, quando a taxa Selic baixa tornou o consignado um dos produtos mais rentáveis do mercado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Receita Federal