Acervo restaurado revela batismos, casamentos e história de escravizados
Diocese de Osório — Em um projeto concluído recentemente, a cúria gaúcha recuperou 794 volumes manuscritos datados a partir de 1773, garantindo acesso digital a dois séculos e meio de registros que fundaram a identidade do Litoral Norte.
- Em resumo: documentos antes ameaçados por fungos e acidez agora podem ser consultados online.
Da sala úmida ao laboratório de Curitiba
Um inventário técnico de 2022 apontou risco de perda irreversível; a solução envolveu o transporte de 40 caixas ao Paraná, onde páginas foram limpas manualmente, neutralizadas quimicamente e reencadernadas. Todo o processo seguiu protocolos internacionais de preservação, como destaca reportagem da GZH.
“É mais do que uma questão de religião e de fé, é uma questão de história”, afirmou Dom Jaime Kohl, bispo da Diocese de Osório, durante a cerimônia de entrega.
Por que esses livros importam para além da Igreja
Até a criação dos cartórios civis em 1888, paróquias eram o único órgão registral do Império. Os volumes restaurados concentram dados de nascimento, casamento, óbito e de pessoas escravizadas — material valioso para genealogistas, demógrafos e estudiosos das migrações açorianas. Com a digitalização, pesquisadores podem confrontar essas informações com censos do século XIX, ampliando o mapeamento da ocupação litorânea.
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Crédito da imagem: Divulgação / Diocese de Osório