Por que o digital, antes sinônimo de economia, ficou tão salgado?
Mercado editorial brasileiro — Nas últimas semanas, leitores notaram que o valor cobrado por e-books em plataformas como Kindle e Kobo se aproximou perigosamente do preço dos livros físicos, derrubando a ideia de que o formato digital é sempre mais barato.
- Em resumo: Custos de produção invisíveis e estratégia de precificação das editoras encarecem o e-book.
Royalties, impostos e plataforma: a equação que mudou
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles apontam que, além da inflação do papel, há um redesenho na divisão de receitas. As grandes varejistas digitais passaram a cobrar taxas mais altas de hospedagem e distribuição, enquanto editoras ampliaram o percentual de royalties repassado a autores para equilibrar contratos híbridos. Reportagem do Canaltech destaca ainda o peso das novas políticas de remuneração do Kindle Unlimited.
Levantamento do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) indica que “o preço de lançamento do e-book já corresponde, em média, a 80% do valor de capa do impresso”.
Leitor paga a conta, mas mercado vê risco de estagnação
A escalada de preços pode frear a adoção do formato justamente entre públicos que encontravam nos digitais uma porta de acesso mais econômica. Em 2020, durante a pandemia, a venda de e-books avançou 23%, segundo a Nielsen. Agora, consultorias projetam alta de apenas 4% para 2024, reflexo direto da resistência do consumidor e da concorrência dos audiolivros.
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Crédito da imagem: Divulgação / Metropoles