Metáfora do “Edifício Alameda” escancara crise de confiança na indústria
Economista Henrique Morrone denuncia, em artigo recente, como a desindustrialização empurra a economia brasileira para uma relação de dependência com o capital financeiro, que ele descreve como um “casamento aberto” no qual o PIB se torna volátil e alheio às fábricas.
- Em resumo: Morrone usa diálogo ficcional para ilustrar a perda de espaço da indústria e o avanço da especulação imobiliária e financeira.
A “DR” que revela um divórcio silencioso
No texto, o prédio batizado de Edifício Alameda simboliza a antiga promessa de desenvolvimento. Já o PIB, personificado, admite que prefere ganhos rápidos em fundos e juros a investir em máquinas e empregos de longo prazo — um fenômeno que as estatísticas confirmam. De 1980 para cá, a participação da indústria de transformação no valor adicionado nacional caiu de 27% para 11%, segundo o levantamento do IBGE citado pela Reuters.
“Não é sombra, é alocação eficiente de recursos”, rebate o PIB na ficção de Morrone, antes de deixar a Indústria entregue à própria sorte.
Sombras, espigões e o risco de uma economia sem chão de fábrica
No cenário pintado pelo economista da UFRGS, empreendimentos como a fictícia Produtores de Sombra S.A. avançam porque oferecem rentabilidade imediata, mesmo que isso signifique vender “o nosso sol” — isto é, sacrificar inovação tecnológica, empregos qualificados e autonomia produtiva. Especialistas alertam que países que abriram mão de sua base fabril viram a renda estagnar e a vulnerabilidade externa crescer, caso de várias nações latino-americanas nos anos 1990.
O debate ganha urgência em 2026, ano em que o governo discute novos incentivos para cadeias de valor estratégicas, como semicondutores e energia limpa. Para Morrone, sem um pacto que coloque porto, ferrovia e planejamento no centro da agenda, o Brasil continuará “morando em dividendos” — e pagando caro por isso.
O que você acha? A indústria ainda pode reconquistar espaço ou o país já assumiu o “casamento aberto” com o capital financeiro? Para acompanhar mais análises de economia e política, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Sul21