Fenômeno aquece oceanos e pressiona sistemas meteorológicos globais
El Niño – o conhecido aquecimento anômalo do Pacífico Equatorial – manifesta-se agora em um planeta mais quente que nunca, ampliando a intensidade de chuvas torrenciais, secas prolongadas e ondas de calor que já batem recordes.
- Em resumo: Com a linha de base do clima mais quente, cada episódio de El Niño gera extremos meteorológicos sem precedentes.
Aquecimento global cria “novo normal” para o El Niño
Dados reunidos pela Organização Meteorológica Mundial mostram que a temperatura média da superfície do mar em 2023 foi a mais alta desde o início das medições. A BBC News alerta que esse degrau térmico adiciona “combustível” às tempestades tropicais e amplia a evaporação, levando a inundações em algumas regiões e estiagem severa em outras. Confira a análise completa.
Relatório da OMM indica que, em cenários de El Niño pós-2000, o número de eventos extremos de chuva aumentou 20 % em relação às décadas de 1970 e 1980.
Impactos diretos na América do Sul e no Brasil
Para o Cone Sul, a combinação entre El Niño e aquecimento global tende a redistribuir a umidade: excesso de chuva no Sul do Brasil e escassez na Amazônia. Na última semana, o Serviço Geológico alertou para risco de enchentes no Rio Grande do Sul enquanto, no Norte, órgãos ambientais monitoram queda no nível dos rios que abastecem comunidades ribeirinhas.
Especialistas lembram que o fenômeno influencia também setores econômicos. A produção agrícola de grãos, por exemplo, já projeta perdas de até 8 % em regiões suscetíveis a estiagem, segundo levantamento da Conab. Ao mesmo tempo, o setor de energia pode enfrentar picos de consumo por causa de calor extremo, pressionando o Sistema Interligado Nacional.
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Crédito da imagem: Divulgação / MetSul Meteorologia