Troca de acusações expõe tensão sobre direitos de mulheres e pessoas trans no Congresso
Erika Hilton – deputada federal do PSOL por São Paulo – interrompeu a sessão da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher para rebater, em tom firme, uma fala de cunho transfóbico e misógino feita pela também deputada Rosana Valle (PL-SP), gerando clima de constrangimento e forte repercussão política.
- Em resumo: Hilton classificou a colega como “odiosa” após ser comparada “à força de um homem” e prometeu não se calar novamente.
Quando o debate desanda em discurso de ódio
O atrito começou depois que Rosana Valle sugeriu acionar a Lei Maria da Penha contra Hilton, insinuando que a parlamentar teria “força de homem”. Segundo especialistas ouvidos em reportagem do G1, esse tipo de declaração configura violência política de gênero e reforça estigmas contra pessoas trans.
“Vossa excelência disse barbaridades contra mim e ninguém vai tirar o meu direito de falar enquanto deputada”, disparou Erika Hilton durante a sessão.
Por que o episódio ecoa além do plenário
Organizações de direitos humanos apontam que o Brasil segue no topo do ranking global de assassinatos contra pessoas trans pelo 15º ano consecutivo, segundo dados da Transgender Europe. A hostilidade vista na Câmara, afirmam analistas, reflete essa realidade e pressiona o Legislativo a adotar protocolos de punição para violência política de gênero e identidade.
A deputada do PSOL já foi alvo de ameaças anteriormente; em 2023, o Ministério da Justiça abriu inquérito para apurar mensagens que pregavam violência contra ela. O novo embate reforça o debate sobre segurança e representatividade de parlamentares trans, grupo que ainda soma apenas quatro cadeiras num total de 513 deputados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Câmara dos Deputados