Relatório inédito escancara desigualdade nos orçamentos carcerários brasileiros
Dossiê Segurança dos Estados – divulgado recentemente, o estudo mostra que algumas unidades da federação aplicam menos de R$ 1 por pessoa presa enquanto liberam cifras bilionárias para ações policiais, escancarando a lógica punitivista que domina a política de segurança pública.
- Em resumo: gasto carcerário irrisório contrasta com investimentos maciços em policiamento.
Centavos para prisões, cifras recordes para as ruas
De acordo com o levantamento, há estados que destinam à manutenção do sistema prisional valores 3 000 vezes menores que os dispensados às forças de patrulha. Em 2022, por exemplo, um dos maiores orçamentos policiais superou a marca de R$ 11 bilhões, enquanto o montante reservado para ressocialização de detentos mal ultrapassou R$ 3 milhões. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, esse desequilíbrio aprofunda a superlotação e dificulta políticas de reentrada social.
“A leitura dos dados aponta uma diretriz comum: a priorização de políticas punitivas em detrimento de ações voltadas à garantia de direitos e à ressocialização de presos”.
Por que o desequilíbrio afeta diretamente a violência?
Pesquisas internacionais indicam que cada real investido em educação e trabalho dentro das prisões reduz a reincidência em até 43%. No Brasil, porém, a alocação mínima de recursos obriga gestores a cortar cursos profissionalizantes e atendimento psicológico, criando um ciclo de retorno ao crime que onera ainda mais o Estado. Para agravar, apenas 12% dos presos têm acesso continuado a atividades de capacitação, segundo dados do Ministério da Justiça.
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Crédito da imagem: Divulgação / CartaCapital