Prazo imposto por Washington reacende pressão internacional sobre regime cubano
Maykel Osorbo – O rapper, preso na penitenciária de segurança máxima de Guanajay, pode ganhar a liberdade em até 14 dias, caso Cuba aceite o ultimato anunciado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
- Em resumo: Washington condiciona avanços diplomáticos à soltura imediata de presos políticos de alto perfil.
Ultimato de Washington muda o tabuleiro diplomático
Fontes do governo norte-americano afirmaram ao USA Today que a janela de duas semanas é “inegociável”, informação repercutida pela Reuters. A Casa Branca busca mostrar firmeza após a reabertura gradual do diálogo com Havana, interrompido desde 2017. Caso o cronograma não seja cumprido, novas sanções financeiras contra empresas estatais cubanas já estariam prontas para entrar em vigor.
“Eu não tenho sorte. A mim nunca me aconteceu nada bom”, lamentou Osorbo a colegas de cela quando, em 2025, mais de 500 detentos foram anistiados e ele permaneceu atrás das grades.
Quem é Luis Manuel Otero e por que ele também está no centro das negociações
Além de Osorbo, o artista plástico Luis Manuel Otero – fundador do Movimento San Isidro – integra a lista de prisioneiros considerada prioritária por Washington. Em 2021, sua prisão durante um protesto tornou-se símbolo da repressão cultural na ilha. Organizações como a Anistia Internacional classificam ambos como “prisioneiros de consciência”, reforçando o desgaste internacional do governo cubano.
Observadores lembram que, em abril, Havana já concedeu indulto a mais de 2.000 detentos de menor visibilidade, estratégia usada em 2010 e 2014 para aliviar pressões externas. A diferença, desta vez, é a aposta dos EUA em metas claras e prazos curtos, numa conjuntura em que a economia cubana enfrenta escassez de combustível e inflação recorde.
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Crédito da imagem: Divulgação / El País