Por que o encontro pode redefinir, mas não resolver, a crise nuclear
Estados Unidos e Irã – As delegações dos dois rivais se reuniram recentemente em Islamabad, mas um ex-diplomata paquistanês frisa que qualquer avanço será lento e incremental.
- Em resumo: Expectativas “realistas” são a chave para avaliar os frutos da rodada de conversas.
Diplomacia sem atalhos: o aviso do ex-enviado paquistanês
Em entrevista à emissora Al Jazeera, o antigo representante do Paquistão afirmou que processos diplomáticos “não são eventos” e “levam tempo”, ecoando décadas de impasses que marcaram o dossiê nuclear iraniano. Segundo ele, pressionar por resultados imediatos pode minar a confiança recíproca que começa a ser restabelecida. Dados da Reuters indicam que, desde a saída dos EUA do acordo de 2015, Teerã quadruplicou seu estoque de urânio enriquecido.
“Diplomacy is not an event, it’s a process, it takes time.” — ex-diplomata paquistanês
Histórico de entraves e o tabuleiro estratégico regional
As conversas em Islamabad ocorrem num momento em que o Oriente Médio vive escalada de tensões, de ataques a navios no Golfo às sanções que continuam a estrangular a economia iraniana. Especialistas lembram que o Paquistão, potência nuclear e aliado tanto de Washington quanto do Golfo, tenta se projetar como mediador neutro.
Além disso, o futuro do acordo nuclear (JCPOA) depende de fatores externos: eleições norte-americanas, pressão israelense e, sobretudo, a capacidade de Teerã em provar que suas centrífugas permanecem sob monitoramento internacional da AIEA.
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Crédito da imagem: Divulgação / Al Jazeera