Da simbologia pagã aos moldes industriais que conquistaram o mundo
Ovo de Páscoa – símbolo que atravessou milênios como representação de renascimento, ganhou um novo sabor apenas na era industrial, quando confeiteiros europeus descobriram como moldar o cacau em cascas ocas e, assim, reinventaram a tradição.
- Em resumo: Fábricas europeias do século 19 substituíram os ovos decorados por versões de chocolate, criando um sucesso global.
Das cascas pintadas aos bombons moldados
Até o início de 1800, os cristãos medievais presenteavam-se com ovos de galinha pintados, herança de rituais pagãos. A mudança veio com a melhoria das prensas de cacau e o uso da manteiga de cacau, permitindo que confeiteiros franceses e alemães fizessem as primeiras cascas comestíveis, segundo reportagem da BBC.
“Muitas tradições da Páscoa vêm do cristianismo da era medieval ou até de crenças pagãs mais antigas. Mas o ovo de chocolate é mais recente.”
Industrialização, marketing e o boom global
Com a Revolução Industrial, o britânico John Cadbury lançou, em 1875, um modelo de ovo totalmente moldado a partir de chocolate sólido. Pouco depois, concorrentes como Fry’s e, mais tarde, a suíça Nestlé levaram a ideia aos quatro cantos da Europa. A chegada do açúcar de beterraba mais barato e a popularização do leite em pó facilitaram produções em massa, tornando o mimo acessível a diferentes camadas sociais.
Hoje, o mercado global de produtos sazonais de cacau ultrapassa US$ 20 bilhões ao ano, de acordo com dados da International Cocoa Organization. No Brasil, as vendas de Páscoa representam cerca de 30% do faturamento anual das grandes indústrias de chocolate, número que se mantém estável mesmo diante da inflação de custos, aponta a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab).
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC